
A empresa realiza uma pesquisa de satisfação junto aos trabalhadores, a iniciativa não é nova e ocorre de forma online por meio de um link enviado ao empregado que, ao ser acessado, já exige no primeiro passo a identificação por meio da matrícula funcional. contraria qualquer princípio básico de anonimato.
Embora apresentada como um instrumento de escuta, a forma como a pesquisa é estruturada levanta preocupações: ao vincular a participação à identificação em um ambiente digital, potencialmente rastreável, o trabalhador pode se sentir constrangido e inseguro para responder com total liberdade.
O questionário busca avaliar o ambiente de trabalho a partir de cinco critérios (credibilidade, respeito, imparcialidade, orgulho e camaradagem) e tem como finalidade a obtenção de uma certificação "Excelente Lugar para Trabalhar", condicionada ao alcance de uma média mínima de satisfação, geralmente em torno de 70 pontos, além de um número mínimo de participantes.
Para o sindicato, no entanto, o modelo adotado compromete a credibilidade dos resultados. Isso porque a identificação retira o efetivo anonimato, podendo transformar a pesquisa em mais um mecanismo de pressão indireta sobre os trabalhadores.
Diante desse cenário, o sindicato defende a adoção de um formato mais transparente e confiável, semelhante ao utilizado nas votações do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), em que haja separação entre identificação e resposta, com uso de urnas e cabines que assegurem privacidade e garantam, de fato, o sigilo. Um modelo simples, mas essencial para que o trabalhador possa se manifestar com segurança.
Da forma que é feita essa avaliação não traz um resultado genuíno e que não adianta se vangloriar com o título certificado de um "Ótimo lugar para trabalhar" tendo diversos trabalhadores com bornout na ativa e muitos com laudos e afastados.
Mais do que alcançar certificações, o que está em jogo é a possibilidade de ouvir a verdade do empregado, e isso só é possível quando há confiança, liberdade e respeito no processo. Recentemente, na votação do ACT, quando a proposta da empresa foi rejeitada, já se demonstrou a insatisfação dos trabalhadores com os rumos adotados. Diante disso, o SINTERN desafia a empresa a realizar uma pesquisa conjunta, de forma isenta, em que o trabalhador não se sinta sob desconfiança ou pressão.